Em 1º de maio de 2026, foi assinado um decreto de promulgação que deu início à aplicação provisória do Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia — o maior acordo comercial já firmado pelo Brasil em termos de mercado consumidor alcançado. Para a indústria moveleira brasileira, o impacto pode ser significativo.
O que o acordo representa em números
O bloco europeu reúne 27 países, mais de 440 milhões de consumidores e um dos mais altos padrões de renda per capita do mundo. O mercado europeu de móveis e decoração é historicamente exigente e disposto a pagar mais por produtos com qualidade, design diferenciado e origem rastreável.
Com o acordo, tarifas de importação aplicadas pelos países europeus a produtos brasileiros serão gradualmente reduzidas ao longo de um período de transição. Para móveis, a queda nas alíquotas pode tornar os produtos brasileiros mais competitivos frente a concorrentes asiáticos.
O desafio das tarifas americanas no contexto
O momento é estratégico. O levantamento da Comex do Brasil mostrou que as exportações de móveis e colchões brasileiros caíram 41,8% no início de 2026 ainda sob efeito das tarifas impostas pelos EUA no ano anterior — o chamado “tarifaço de Trump”. Com a pressão americana, diversificar mercados deixou de ser opção e virou necessidade.
O acordo com a União Europeia chega num momento em que a indústria moveleira brasileira precisa exatamente disso: novos destinos para compensar a pressão no mercado norte-americano.
O que o fabricante precisa fazer para chegar à Europa
Exportar para a Europa não é só uma questão de preço. O mercado europeu exige:
- Rastreabilidade da madeira — certificações como FSC ou PEFC comprovam que a madeira vem de fonte legal e sustentável. A Europa está implantando regulação que proíbe importação de produtos ligados ao desmatamento.
- Conformidade com normas técnicas europeias — testes de resistência, emissão de gases (VOC), segurança em uso. Diferente do mercado doméstico, as normas europeias são obrigatórias e auditadas.
- Design e embalagem profissional — o consumidor europeu compra pela embalagem, pelo catálogo, pela presença digital. Produto sem apresentação não entra no varejo europeu.
- Parceiros locais — importadores, distribuidores ou representantes europeus são praticamente obrigatórios para quem quer consistência nas exportações.
Feiras internacionais como porta de entrada
A participação em feiras internacionais — como o Salone del Mobile de Milão, a Interzum de Colônia ou a Maison et Objet de Paris — é o caminho mais rápido para fabricantes brasileiros se posicionarem no radar do comprador europeu. O Brasil tem tradição nessas feiras, especialmente fabricantes do polo moveleiro do Paraná e de Bento Gonçalves (RS).
Internamente, a Móvelbra Home Show 2027 (Londrina/PR, 16 a 18 de fevereiro) é o ponto de partida para os fabricantes que ainda precisam consolidar sua estrutura comercial e produtiva antes de dar o salto internacional — e onde lojistas brasileiros descobrem, antes de todos, quais fabricantes já estão prontos para esse nível.
Fontes: eMóbile — Acordo Mercosul-União Europeia entra em vigor (30/04/2026) | Comex do Brasil — Exportações de móveis e colchões abrem 2026 em queda de 41,8% (15/03/2026)








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